Apenas 195 países se inscreveram em um programa de acordo global para reduzir suas emissões de carbono, com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC neste século – e mesmo assim, os acordos podem não ser cumpridos na prática por vários deles.

 

Atualmente, o mundo precisa de novas fontes de energia, principalmente não convencionais. Assim, pesquisadores do Reino Unido criaram um sistema único que utiliza a urina para gerar energia. Trata-se de um par de meias embutidas com células microbianas de combustível (MFC), abastecidas com urina bombeada pelos passos do usuário.

 

O dispositivo, que é o primeiro sistema MFC autossuficiente, alimentado por um gerador de energia portátil, oferece uma maneira de converter resíduos humanos naturais em uma fonte de energia prática. Ele consegue até mesmo alimentar um transmissor sem fio para enviar sinais a dispositivos móveis e computadores.

 

Depois de já termos ligado um celular com MFCs, utilizando a urina como combustível, queríamos ver se poderíamos replicar esse sucesso em tecnologia portátil, de vestimenta. Também queríamos que o sistema fosse totalmente autossuficiente, funcionando apenas em poder humano. A urina é utilizada como combustível e a ação do pé é a bomba”, disse Ioannis Ieropoulos, da Universidade do Oeste da Inglaterra (UWE Bristol).

 

Ao contrário dos modelos de dispositivos MFC, que envolvem a alimentação da rede, a utilização de uma bomba para circular a urina por células microbianas de combustível depende exclusivamente da atividade humana. Bisnagas flexíveis colocadas sob os calcanhares do calçado garantem que a urina seja lançada, gerando energia à medida que passa ao longo dos CCMs. Em testes, o traje foi capaz de enviar uma mensagem a cada 2 minutos para um módulo receptor controlado por computador.

 

As descobertas, relatadas na Bioinspiration & Biomimetics, são mais do que apenas uma inovação de tecnologia portátil. Representa um desafio para o marketing, já que utiliza a própria urina. “Este trabalho abre possibilidades de utilização de resíduos para alimentar tecnologia portátil e é fácil de usar. Por exemplo, a pesquisa recente mostra que pode ser possível desenvolver um sistema baseado em tecnologia MFC para transmitir as coordenadas de uma pessoa numa situação de emergência. Ao mesmo tempo, isso indicaria a prova de vida, uma vez que o dispositivo irá funcionar apenas com a urina do operador”, disse o pesquisador.

 

A pesquisa é a mais recente prova conceitual mostrando como resíduos – sejam eles derivados de animais ou não – são uma grande e potente fonte de energia que a humanidade não pode, de fato, desperdiçar – especialmente em tempos onde a tecnologia de muitos sistemas retira a energia quase que exclusivamente de fontes não renováveis.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / UWE Bristol / Ioannis Ieropoulos ]