No início de 2000, uma árvore caiu sobre o último íbex-dos-pirenéus (Pyrenean ibex) vivo, transformando aquela criatura em mais uma estatística de uma lista cada vez maior de espécies extintas. Então, em 2009, uma cabra deu à luz a um íbex clonado em um milagre financiado pelo governo americano, que marcou a primeira vez que uma espécie foi “ressuscitada”. Sete minutos depois, o clone morreu, e o Pyrenean ibex recebeu a distinção de ser a única espécie extinta duas vezes.

 

Mas o precedente foi criado, e agora temos uma nova lista, uma de animais que um dia poderiam serem trazidos de volta à vida.

 

10 – Sapo que “choca” seu filhote no estômago

Rheobatrachus é o gênero de um animal muito especial: um sapo que tem filhote pelo estômago. Este animal australiano foi descoberto em 1972 e declarado extinto em 1983. Ele tem característica única: converte seu estômago em útero e dá à luz através de vômito. Enquanto os ovos estão se formando, o sapo para de comer e desvia o ácido do estômago para uma parte diferente de seu corpo. O órgão incha tanto que seu pulmões colapsam e ele começa a respirar através de sua pele. Quando o filhote nasce, sai pela boca do bicho.

Um professor de zoologia da Universidade de New South Wales (Austrália) chamado Michael Archer está liderando uma pesquisa para trazer esse sapo bizarro de volta à Terra. Em 2011, Archer e sua equipe conseguiram criar um aglomerado de células que começaram a se reproduzir por conta própria. Apesar de seu sucesso até agora, o progresso é lento porque a espécie com DNA mais próximo deste sapo que poderia servir debarriga amiga para trazê-lo de volta ao mundo se reproduz apenas duas vezes por ano, de forma que os cientistas têm pouca chance de fazer a empreitada dar certo.

 

9 –  Tigre da Tasmânia


O tilacino, também conhecido como tigre da Tasmânia, foi declarado oficialmente extinto em 1986, embora não tivesse sido visto há 50 anos. Uma vez parte abundante da fauna natural da Tasmânia, o tigre se tornou um problema para os criadores de ovelhas em 1800, de forma que o governo começou a pagar para cada tigre morto. Sem surpresa, ele foi caçado até quase a extinção, e o último tilacino conhecido morreu em 1936. No entanto, um museu de Melbourne havia preservado espécimes mortos em 1918 no álcool. E com essas poucas amostras de tecidos remanescentes de quase um século atrás, dois pesquisadores da Universidade de Melbourne começaram a “colar” o DNA da criatura. Em 2008, eles haviam remendado suficiente genoma do tilacino para inseri-lo em um embrião de rato, que começou a exibir traços de um animal que não tinha andado pela Terra há 80 anos.

 

8 –  Auroque


Predecessor do gado moderno europeu, o auroque foi declarado extinto em 1627, depois de perder lentamente seu habitat natural para a propagação da civilização na Idade Média. Embora não tenha havido um espécime vivo há quase 400 anos, seus descendentes ainda são intimamente relacionados em termos de estrutura do DNA, o que torna auroque um dos principais candidatos a “desextinção”. Um grupo holandês chamado Stichting Taurus está estudando fragmentos de ossos de auroque para tentar recriar a estrutura de seu DNA. Uma vez que a sequência for montada, os cientistas holandeses testarão vacas europeias para encontrar seu parente mais próximo. Se acharem uma “barriga de aluguel” em potencial, eles vão introduzir o DNA auroque em um embrião e produzir uma nova linha de gado através de várias gerações. Essa não é a primeira tentativa de clonar o auroque – durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas fizeram uma experimento semelhante, produzindo uma espécie de gado que ficou conhecido como “heck cattle”.

 

7 –  Andorinha de Merritt Island


Quando o Centro Espacial Kennedy foi construído em Merritt Island, EUA, em 1965, a NASA foi confrontada com um problema que não tinha previsto: a área era cheia de mosquitos. Então, eles começaram a trabalhar para matar todas as larvas do inseto, o que inadvertidamente destruiu o único habitat da andorinha Ammodramus maritimus nigrescens. A espécie nunca se recuperou, e a última ave morreu em 1987. Orange Band, como era chamada, recebeu um funeral de mártir, mas não antes de seu coração e pulmões serem retirados e preservados para que pudessem ser clonados no futuro. Embora não tenha havido qualquer tentativa de trazer a espécie de volta ainda, seu DNA está sendo mapeado.

 

6 –  Alce irlandês


O maior obstáculo para fazer renascer espécies é encontrar substitutos para dar à luz aos animais extintos. Um dos métodos mais comuns é colocar DNA do animal extinto no embrião de uma contraparte moderna, suficientemente semelhante para cumprir a gravidez. No caso de animais pré-históricos como o alce irlandês, parte da família dos veados gigantes, o problema é um pouco mais difícil. Onde podemos encontrar um veado moderno que possa dar origem a algo que vai crescer até uma altura de dois metros, com chifres de 4,2 metros? Pesquisadores da University College London (Reino Unido) descobriram que o parente mais próximo do alce irlandês é o gamo, animal relativamente comum na Inglaterra e Irlanda. Eles estão agora mapeando o DNA de um fóssil de alce irlandês de 13.000 anos de idade, na esperança de retirá-lo do túmulo em um futuro próximo.

 

5 –  Periquito-da-carolina


Papagaios e periquitos são normalmente encontrados em locais tropicais, como a América Central. Mas menos de um século atrás, uma espécie de periquito fez a sua casa ao longo da costa oriental dos EUA – o periquito-da-carolina, extinto em 1918. Como muitos animais agora extintos, este desapareceu por conta de caça em massa. A coloração brilhante de suas penas criou uma demanda para uso em chapéus e roupas, e o pássaro sumiu da natureza. Felizmente, existem dezenas de exemplares preservados, cujo DNA mitocondrial foi sequenciado a partir de fragmentos de cascas de ovo do Museu do Estado de Nova York (EUA) no ano passado. Há tempos biólogos e historiadores clamam por um clone do periquito-da-carolina, e apesar de não existirem planos oficiais ainda, o periquito-príncipe-negro já foi declarado como possível barriga de aluguel.

 

4 –  Huia


O pássaro huia foi uma grande ave endêmica da Nova Zelândia, marcante pelo bico longo e curvo das fêmeas. Para a tribo Maori, o huia era um animal sagrado, morto às vezes para que suas penas pudessem ser transformadas em cocares ornamentais. Quando os europeus visitaram a ilha, eles gostaram da ideia de chapéus de huia ainda mais, o suficiente para extinguir a espécie. A última aparição confirmada do huia foi em 1907, mas embora seja geralmente considerado extinto, é possível que ainda haja alguns espécimes na reserva do Parque Nacional de Te Urewera, na Nova Zelândia.

Não contente em especular sobre possibilidades, um grupo de geneticistas americanos resolveu descobrir se seria possível clonar um huia. Até os Maori concordaram em participar da ressuscitação de seu pássaro sagrado. Nada aconteceu ainda, mas um plano já foi feito: tudo o que é preciso é encontrar uma célula viável em um dos poucos espécimes preservados do pássaro, extrair o núcleo da célula, implantá-lo em um óvulo retirado de um outro pássaro e dar um choque eléctrico ou uma dose de radiação UV para dar início a divisão celular. Simples.

 

3 –  Dugongo-de-steller


Dugongo-de-steller, um parente do peixe-boi, foi descoberto pela primeira vez em 1741 ao largo da ilha de Bering, perto da Rússia. Grande, lento e um nadador surpreendentemente ruim para uma criatura do mar, a população do dugongo já tinha diminuído à época de sua descoberta até o ponto que só era encontrada em torno de uma parte do mar de Bering. Marinheiros e comerciantes amaram sua pele, e demorou menos de 30 anos para acabar com o resto dos animais, oficialmente declarados extintos em 1768, 27 anos após a sua descoberta. Embora não tenha havido um avistamento deste dugongo vivo em quase 250 anos, seus ossos ainda estão aparecendo nas praias, e uma equipe de pesquisa da Rússia chegou a mapear sua sequência de DNA em 2011, abrindo o caminho para um projeto de clonagem.

 

2 –  Pombo-passageiro


Como o tilacino, pombos-passageiros eram extremamente abundantes (um único rebanho podia ter milhões de indivíduos) e eram encontrados em todos os EUA Oriental e Central em 1800. Mas, através da combinação infeliz de serem deliciosos e fáceis de matar, eles também foram caçados pelos milhões, e apesar dos esforços de conservação no início de 1900, foram extintos. Um projeto está em andamento na Universidade da Califórnia (EUA) para reviver o pombo usando DNA de Martha, a última ave a morrer em 1914. No momento, esse animal é o candidato mais provável para voltar à vida. Isso porque suas amostras de DNA estão relativamente bem preservadas, além de haver outras espécies estreitamente relacionadas que podem lhe dar à luz, como a pomba-de-coleira-branca.

 

1 – Mamute


O mamute é um dos candidatos mais populares para a ressurreição, e por uma boa razão: pode realmente funcionar. Embora não tenha havido um mamute vivo há cerca de 200.000 anos, o fato de que eles morreram durante uma era glacial em uma região que está congelada até hoje (Sibéria moderna) significa que estão praticamente intactos. Embora seja tecnicamente possível clonar um mamute através da extração de núcleos de suas células e a colocação desses núcleos em um embrião de uma outra espécie, as células de mamute descongeladas tem um hábito irritante de morrer antes que um núcleo possa ser extraído.

Mas há outra possibilidade. Em 2006, verificou-se que a introdução de quatro proteínas simples em uma célula adulta a reverte em uma célula-tronco embrionária. O processo é mais rápido do que extrair núcleos e as células estaminais vivem mais tempo do que a maioria dos outros tipos de células. Com as células-tronco como ponto de partida, é possível criar células reprodutivas de ambos machos e fêmeas e, com essas duas peças, tudo é possível. A pergunta que fica é: será que uma espécie ressuscitada será capaz de sobreviver no ambiente selvagem de novo? E se sim, como afetará outras espécies ao “invadir” seu habitat?

[ Listverse via HypeScience ] [ Fotos: Reprodução / HypeScience ]