Segundo dados da Gallup Poll, uma empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, mais de 50% da população estadunidense se preocupa muito com um ataque terrorista.

Um terço das pessoas pesquisadas acham que o governo não pode fazer nada para evitar os atentados.

O terrorismo do mundo ocidental sobre o oriental também acontece, mas de outras formas, passando despercebido pelos olhares menos atentos. Mesmo assim, diariamente, alguma notícia sobre atentados aparece nos principais jornais.

Porém, o terrorismo moderno nem sempre é exatamente aquilo que nós pensamos ser. Conheça agora 10 fatos surpreendentes sobre ele!

1 – Alguns dos maiores grupos terroristas do mundo não estão conectados ao Islã

O maior grupo terrorista que já apareceu, provavelmente, é o ISIS, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Eles são enormes, com diversas ramificações e vertentes, com verbas praticamente inimagináveis, oriundas de financiamentos misteriosos.

O Hezbollah também é um grupo de extremistas islâmicos organizado e rico, talvez logo atrás do ISIS na lista. Porém, apesar dos dois maiores grupos estarem ligados ao islamismo, nem todos estão. Às vezes, a religião nem é um aspecto relevante.

Um exemplo são as FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, supostamente ligadas a uma organização terrorista dos EUA. Os seus integrantes se consideram marxista-leninistas (ou apenas pensam que são) e ateus.

De acordo com dados publicados em 2014, pela revista Forbes de Israel, o grupo está logo atrás do ISIS e do Hezbollah entre as organizações terroristas mais ricas.

Acredita-se que cerca de 30% do território colombiano seja comandado pelas FARC, com milhares de recrutas fiéis, inclusive fora do país, sendo até mesmo maiores que a Al-Qaeda ou Boko Haram.

Os dados assustam, principalmente levando-se em conta que, no final da década de 90 e início dos anos 2000, o grupo ainda era três vezes maior do que agora.

O Exército de Resistência do Senhor, liderado por Joseph Kony, um cristão fundamentalista, também é um grupo muito forte na República Centro Africana, na República Democrática do Congo e no sul do Sudão, tendo exterminado mais de 100 mil pessoas, além de sequestrarem e recrutarem cerca de 50 mil crianças ao longo dos últimos 25 anos.

Desde outubro de 2005, o Tribunal Penal Internacional (TPI) tenta prender Joseph Kony por inúmeras violações aos direitos humanos, incluindo assassinato, sequestro, mutilação, escravização sexual e aliciamento de crianças. Desde 2001, o governo dos EUA considera o ERS uma organização terrorista.

No Japão, existe um grupo terrorista que sucedeu o temível Aum Shinrikyo (Ensinamento da Verdade Suprema, que tenta impor o budismo). Em 1995, o grupo matou 12 pessoas e feriu outras 5.500 através de um ataque utilizando gás Sarin no metrô de Tóquio.

O gás é um líquido sem cor e sem cheiro usado como arma química devido aos danos que causa no sistema nervoso. O grupo fundamentalista budista ainda possui participação ativa de cerca de 1300 pessoas, com o recrutamento aumentando anualmente. 

2 – As maiores vítimas do terrorismo vivem no mundo oriental

Os ataques do 11 de Setembro e os recentes atentados em Paris, na França, são sempre calamidades que abalam o mundo. Porém, a visão eurocêntrica sempre volta seus olhos ao mundo ocidental, fazendo com as tragédias que acontecem nos países ‘desenvolvidos’, pareçam sempre mais comoventes.

Porém, a grande verdade é que o Ocidente sofre poucos ataques terroristas em relação a determinadas áreas do ‘resto do mundo’. Segundo estatísticas da ONU e de outros órgãos, entre os anos de 2004 e 2013, os EUA foram atacados 131 vezes, sendo que apenas 20 resultaram em mortes. A França sofreu 47 ataques, incluindo o último, que chocou e comoveu o mundo.

Porém, pouco se fala sobre o Iraque, que sofreu 12 mil ataques terroristas, e destes, 8 mil foram severamente mortais. Neste mesmo período de tempo, aproximadamente metade dos ataques terroristas e 60% das mortes do mundo, aconteceram em apenas três países: Iraque, Paquistão e Afeganistão. Logo abaixo da lista, estão a Índia, Nigéria, Somália, Iêmen, Síria, Sri Lanka e Tailândia.

Obviamente, isto não significa que não a comoção pelos atentados ocorridos no Ocidente deve ser evitada, porém, é preciso saber que este é um problema global, com estatísticas ainda piores no Oriente Médio e Ásia, e, na maioria das vezes, sendo esquecidos pelas autoridades mundiais e a grande imprensa.

3 – Na Europa, o terrorismo está bastante ligado ao separatismo

Desde o incidente que aconteceu na Noruega, em 2011, no qual Anders Behring Breivik, um terrorista cristão da extrema-direita, matou 77 pessoas e feriu outras 51 pessoas, os tiros que atingiram funcionários da revista Charlie Hebdo, em Paris, na França, no ano passado, representaram o maior ataque terrorista na Europa. Porém, poucos dos atentados que ocorrem em terras europeias são vinculados à religião, e sim, ao nacionalismo.

Dados da Europol estimam que, em 2014, mais de 50% dos 201 ataques terroristas da Europa tinham a ver com o republicanismo irlandês, ou seja, a ideologia baseada na ideia de que toda a Irlanda deveria se tornar uma república independente.

De todos eles, 109 ocorreram na Irlanda do Norte. Outros movimentos nacionalistas ou separatistas também foram os principais motivos para ataques em outros locais.

Em 2015, por exemplo, cinco policiais da Macedônia foram mortos em confrontos com terroristas albaneses nacionalistas. Porém, além do separatismo, alguns movimentos de extrema esquerda também cometeram assassinatos. Na Grécia, movimentos que se dizem marxistas assassinaram dois adversários políticos, em 2013.

Na Itália, alguns anarquistas enviaram várias cartas-bomba a autoridades locais. Alguns ataques possuíam questões específicas, como um acontecido na França, no qual um grupo de viticultores (estudiosos da ciência da produção de uvas) radicais lançaram bombas sobre um escritório local do Partido Socialista, por conta de denúncias relacionadas à produção de vinho.

4 – Terroristas nativos matam mais pessoas nos EUA do que os Jihadistas

Além da tragédia do 11/09, ocorreram outras 26 mortes em eventos separados, creditadas ao jihadismo.

De acordo com a BBC, os jihadistas são muçulmanos radicais que acreditam que a ‘luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como Umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião).

Porém, a maioria das mortes extremistas em solo estadunidense acontece pelas mãos de próprios cidadãos locais, geralmente ligado ao extremismo de direita.

O neonazista Wade Michael Page, em 2012, resolveu atacar um templo da religião sikh, matando seis pessoas e ferindo outras três de forma grave. Já neste ano, Dylann Roof matou nove pessoas que frequentavam uma igreja, em Charleston.

Em 2010, um ataque suicida a um escritório do IRS dos EUA, orquestrado por Andrew Joseph Stack, matou um agente de taxação do governo e feriu outras 13 pessoas, após um pequeno avião colidir com o local.

Temendo novos ataques, o Governo dos EUA fez uma pesquisa com 382 policiais e departamentos de autoridades, este ano, descobrindo que 74% listavam os crimes de violência contra o governo como a maior ameaça em sua jurisdição. Apenas 39% temiam mais ataques terroristas oriundos de grupos jihadistas.

5 – Terroristas de esquerda cometem mais ataques não-letais do que os outros

Ao contrário do que acontecia antigamente, raramente alguns grupos de esquerda são relacionados com grupos de terrorismo moderno nos EUA. Na década de 70, por exemplo, tais ataques, principalmente ao Departamento de Estados dos EUA eram frequentes.

Hoje, apesar de estarem mais ‘escondidos’, ainda são responsáveis por alguns atentados. A Frente de Libertação da Terra (ELF), por exemplo, realizou diversos ataques entre 2001 e 2011, se responsabilizando por cerca de 50 ataques separados com bombas incendiárias, causando danos inestimáveis. Apesar da ausência de vítimas letais (um cuidado que o grupo tinha), eles acabaram entrando na lista de terroristas da FBI. Algo semelhante aconteceu com o Animal Liberation Front, um grupo que lutava pelo direito dos animais e causaram muitos incêndios.

6 – O Terrorismo nos EUA raramente é realizado por grupos organizados

Apesar de nomes como Al-Qaeda, ISIS, FARC, Hezbollah e tantos outros, causarem medo nas pessoas, nos EUA, principal símbolo do Ocidente, os atos de terrorismo raramente são orquestrados por grupos organizados, segundo dados do Southern Poverty Law Center (SPLC). 

Analisando 60 ataques separados, o SPLC descobriu que quase 75% deles foram arquitetados e executados por uma única pessoa, sem a ajuda de cúmplices ou de grupos. Quando envolviam pelo menos duas pessoas, sem ajuda externa, os dados mostraram que isto representava 90% de todos os incidentes.

7 – Número de ataques terroristas nos Estados Unidos está diminuindo

Apenas no ano de 1970, os EUA sofreram 450 ataques considerados terroristas. Este foi, sem dúvidas, o maior número de atentados que aconteceram no país. Era o auge do Weather Underground, que tinha posições revolucionárias em defesa das minorias e em oposição à Guerra do Vietnã, chegando até a emitir uma “declaração de estado de guerra” contra o governo dos Estados Unidos.

Além disso, também ocorriam os movimentos separatistas porto-riquenhos e a Liga de Defesa Judaica bombardeava escritórios, pois acreditava que as maiores organizações judaicas dos EUA falharam na proteção dos judeus estadunidenses do antissemitismo.

Desde então, o terrorismo teve uma queda livre. Já na década de 90, o número de incidentes ultrapassou o número da média, de 50 por ano, mas depois voltou à normalidade, continuando em queda até os dias de hoje. Os números de ataques fatais também bateram o recorde no início da década de 1970, mas apenas o 11 de Setembro representou algo do tipo, posteriormente.

8 – Estudos comprovam que o terrorismo não funciona

Apesar de serem destrutivos, diversos estudos comprovam que os atentados terroristas quase nunca funcionam. Os ataques indiscriminados contra civis geralmente não surtem efeito para os orquestradores dos ataques. Pelo contrário, pode atrapalhar os planos reais dos terroristas. Em 2009, a Universidade George Mason realizou uma análise de 457 campanhas terroristas, desde 1968.

Os pesquisadores constataram que grupos extremistas conseguiram, com seus ataques, conquistar apenas um estado e 94% deles não conseguiram alcançar ao menos um de seus objetivos declarados.

Atualmente, o estudo pode estar desatualizado, tendo em visto a ação do ISIS, criando um estado controlado no Oriente Médio. Porém, de modo geral, a ideia ainda faz sentido. A Irlanda do Norte, por exemplo, mesmo após ano de luta ainda pertence à Grã-Bretanha e os grupos de extrema-direita ainda não conseguiram derrubar o governo democrático dos EUA.

9 – Espalhar a religião/ideologia não é o principal objetivo do terrorismo

Quando se fala em atentados terroristas, as pessoas pensam que os criminosos querem apenas matar as pessoas ou, então, espalhar à força algum tipo de religião ou ideologia. Apesar disso realmente existir, representa apenas uma pequena parcela do objetivo. A maioria dos terroristas são motivados por razões fora do senso comum, segundo um estudo realizado pela Ohio State University.

Analisando 52 extremistas islâmicos que atacaram os EUA, os pesquisadores descobriram que o principal motivo dos ataques era satisfazer um desejo de vingança, pois a maioria dos terroristas queriam punir os EUA por apoiar Israel ou então, simplesmente ficaram irritados por conta das guerras no Afeganistão e Iraque.

Um outro estudo, realizado pela Universidade de Michigan, alegou que a maioria dos terroristas, que são homens jovens, procuravam aventura, objetivos de vida, mulheres, status e fazer parte de um grupo sólido de amizade.

10 – O ataque às Torres Gêmeas não foi o maior ataque terrorista PENSADO da história

Os ataques do 11 de Setembro são considerados os mais chocantes da história moderna, com milhares de vítimas diretas e indiretas, 3 mil mortos e cicatrizes que mancharam o mundo Ocidental. Porém, outros ataques planejados, provavelmente, teriam sido muito piores do que este, caso fossem bem sucedidos.

Nos EUA, um ataque quase conseguiu se igualar, em 22 de abril de 1997, quatro membros da Ku Klux Khan (KKK) foram presos após arquitetarem explodir uma refinaria de gás próxima a Fort Worth, no Texas.

Segundo as autoridades, caso o ataque se concretizasse, cerca de 30 mil pessoas morreriam, quase 10 vezes o número de pessoas que morreram no 11 de Setembro. 

Fora do país norte-americano, também ocorreram outros ataques terroristas devastadores. Em 1993, o Aum Shinrikyo, do Japão, lançou uma nuvem de bactérias de carbúnculo, em Tóquio, colocando em risco cerca de 7 mil moradores. Por sorte, a espécie havia sido acidentalmente adquirida, antes do ataque, e uma estirpe de vacina foi criada, deixando as bactérias inofensivas aos humanos.

O mesmo grupo, dois anos mais tarde, tentou explodir bombas de cianureto no metrô de Tóquio. As autoridades japonesas afirmaram que uma única explosão bem-sucedida poderia ter matado mais de 10 mil pessoas.

Via: ListVerse / CDC / IG / BBC Imagem: Reprodução / Wikipédia