Enquanto os líderes mundiais de 195 países se reúnem em Paris, na França, para discutirem soluções para a atual crise climática, um novo relatório delineou quem é responsável e qual a percentagem de emissões globais de carbono do mundo.

 

Embora os resultados sejam chocantes, não é exatamente inédito que os países mais ricos do mundo sejam os grandes responsáveis pela destruição do planeta.

 

Publicado pela instituição britânica Oxfam, o novo relatório conclui que os 10% da população mundial mais rica do mundo estão produzindo 49% das nossas emissões totais de carbono, enquanto os mais pobres, 50%, contribuem apenas com 10%.

 

Os dados também mostram que 1% da população mais rica, emite uma média de 175 vezes mais carbono que uma pessoa de classe média. E o total de emissões produzidas pela China, com 600 milhões de pessoas mais pobres, somam apenas um terço do total das emissões dos 10% mais ricos nos EUA, tomando como base um grupo de 30 milhões de pessoas, por comparação.

 

“Os ricos, maiores emissores globais, devem ser responsabilizados, não importa onde eles vivem. Mas, é fácil esquecer que economias em rápido desenvolvimento também abrigam a maioria das pessoas mais pobres do mundo e ao mesmo tempo eles têm que fazer a sua parte de forma justa. Os países ricos deveriam liderar este caminho”, disse chefe de política climática da Oxfam, Tim Gore.

Foto: Reprodução / Oxfam
Foto: Reprodução / Oxfam

Embora os números sejam extremamente reveladores e combatam os mitos de que os países em desenvolvimento altamente populosos são os maiores emissores de carbono do mundo, alguns acreditam que este tipo de comparação é inútil.

 

Quando se trata de mudança climática causada pelo homem, apontar os dedos para dizer quem é responsável é algo considerado controverso, e a Agence France-Presse (AFP), uma agência de notícias francesa, menciona que os países mais ricos e os mais pobres do mundo permanecem “profundamente divididos” sobre como mensurar e compartilhar a responsabilidade de redução das emissões de carbono.

 

Os países em desenvolvimento dizem que o Ocidente tem poluído por muito mais tempo e deve assumir uma obrigação maior para o corte. Eles também exigem garantias de financiamento para ajudá-los a ficar menos poluentes com energia renovável, financiando defesas contra impactos climáticos, como a subida do nível do mar, secas e supertempestades, para cobrir os danos que não podem ser evitados”, relatou a agência de notícias.

 

Não é apenas uma questão de responsabilidade histórica. Eles também têm mais espaço para fazer os cortes e causar o maior impacto”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, direcionando o discurso às nações mais ricas do mundo, na cúpula sobre mudança climática da ONU. 

 

Independentemente de quem é a maior culpa sobre a situação, o maior problema é que a resolução parece distante. Segundo relatórios da Reuters, as promessas efetuadas recentemente, pelos 184 países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, que aconteceriam depois de 2020 “são demasiadas fracas para limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius”.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Flickr ]