Quando você olha no espelho e aquelas espinhas te encaram de volta, dá uma vontade incontrolável de dar uma apertadinha.

 

Afinal de contas, depois que seu conteúdo for extraído, a pele finalmente vai cicatrizar e ficar lisinha como um bumbum de bebê, certo? Muito provavelmente, não. Espremer uma espinha é como ganhar uma batalha, mas perder a guerra.

 

A médica dermatologista Zakiya Rice, da cidade de Atlanta (EUA), costuma pedir que seus pacientes lembrem-se que as espinhas são como pequenas bolsas de óleo natural da pele, com células mortas e bactérias da acne, as velhas conhecidas Propionbacterium acnes. Elas são bactérias que crescem lentamente e que se alimentam das secreções produzidas pelas glândulas sebáceas. Quando em contato com outros poros, promovem a inflamação dos folículos pilosos, causando ainda mais espinhas.


Ou seja: se você espremer uma espinha sequer, está espalhando bactérias em regiões saudáveis da pele, e levando novas bactérias para a pele através de seus dedos e unhas. O problema não é espremer a espinha em si, mas fazer isso em casa, em um ambiente não-estéril como o seu banheiro, com ferramentas contaminadas (seus dedos), aplicando forças desiguais e incorretas, que causam ferimentos e marcas.

 

O que chamamos de pústula na verdade está mantendo as bactérias contidas”, diz ela. Ao espremer esta bolsinha natural, as bactérias se espalham e causam mais espinhas. Outro problema em cutucar a pele em casa é que ao fazer isso de forma incorreta, as células mortas e bactérias podem ser empurradas ainda mais profundamente, causando espinhas mais inflamadas ou infeccionadas, que demoram mais tempo para sarar e que causam cicatrizes.

 

Isso também pode causar aquelas manchinhas mais escuras. Isso se chama hiperpigmentação pós-inflamatória, que normalmente passa em algumas semanas ou meses, mas que pode durar até dois anos.

Como profissionais espremem espinhas?

Dermatologistas e esteticistas bem treinados podem fazer este serviço de forma segura. Para começar, eles usam luvas e materiais esterilizados, além de produtos e técnicas que permitem a extração de forma menos traumática para a pele. A melhor opção, se possível, é deixar as espinhas para os profissionais.

 

Sessões de limpeza de pele podem ser caras, ainda mais se for levado em consideração que elas devem acontecer periodicamente. Neste caso, o melhor é exercitar a força de vontade e deixar com que seu próprio corpo lide com o problema. Uma espinha comum costuma desaparecer sozinha em cerca de uma semana.

 

Se o seu caso é mais sério do que as espinhas comuns, é melhor consultar um dermatologista, que poderá indicar um tratamento com antibióticos específicos ou até medicamentos mais fortes. Para esconder as espinhas, o mais indicado é limpar bem a pele e aplicar um corretivo. O ideal, segundo a dermatologista, é procurar um produto não comedogênico, ou seja, que não cause acne.

 

A maquiadora de Hollywood Tasha Reiko-Brown explica como fazer isso: “quando você está tentando esconder uma espinha, seu objetivo é se livrar da vermelhidão, e não deixar a pele lisa. Se você acumular muitas camadas de maquiagem, você vai criar uma pequena montanha. Ela pode até não ser uma montanha vermelha, mas ainda vai ser maior e mais visível do que era antes”.

 

Quando a maquiadora precisa esconder alguma espinha de um cliente famoso, ela usa corretivos secos ao invés dos mais cremosos. Eles costumam vir em bastões. Tasha normalmente aplica a maquiagem com os dedos, mas neste caso ela prefere usar um pincel com pelos curtos. 

[ WEBMD via Hypescience ] [ Foto: Reprodução / Flickr ]