O porteiro Ozeilto Barbosa, de 43 anos, acostumado a abrir a porta para milhares de alunos, agora conseguiu abrir a porta para si mesmo em busca dos seus sonhos.

Ozeilto estava há mais de 20 anos fora da escola e as matérias e conteúdos eram uma grande barreira para seu avanço.

No final do ano passado, o morador de Vitória, no Espírito Santo, fez o pré-vestibular e o ENEM e conseguiu uma vaga de enfermagem graças ao seu esforço e a ajuda das alunas e professores da escola que o incentivaram a estudar.

A história emocionante foi contada no jornal Tribuna Online e deixou muitos leitores emocionados. Ele conseguiu bolsa de 100% no Programa Universidade para Todos – o Prouni.

Ele estava aguardando na lista de espera do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e irá iniciar seu curso agora no segundo semestre de 2019.

“Eu fiquei muito feliz, vou realizar meu sonho e dar uma vida mais digna para minha família”, disse em entrevista.

Sua história

Ozeilto nasceu na Bahia e parou de estudar aos 16 anos depois de ter seu primeiro filho.

Ele se mudou para o Espírito Santo no ano de 2000 em busca de melhores oportunidades de emprego:

Logo que cheguei aqui, catei até latinha, e não tenho vergonha de falar. Tenho orgulho da minha história, eu sou um sonhador”.

Trabalhando no Centro Educacional Charles Darwin desde 2011, no bairro Jardim da Penha, ele foi convidado a voltar à sala de aula e decidiu encarar o desafio, tendo o apoio dos alunos e professores.

“Uma secretária da escola chegou pra mim e falou: ‘Ozeilto, que tal você voltar a estudar?’. Eu falei logo que não, mas ela insistiu e me apresentou o Educação de Jovens e Adultos”, disse.

Ao ingressar, ele possuía apenas o quarto ano do ensino fundamental, mas conseguiu concluir seus estudos e chegar ao final do ensino médio, onde começou a pensar na faculdade.

As alunas

Bárbara Rocha, 20 anos, Ramona Uliana, 21, e Débora Lope, 19, fora uma das alunas que mais incentivaram Ozeilto, que o chamam carinhosamente de “Ozê”.

As alunas consideram “Ozê” uma inspiração para elas que desejam cursar Medicina e dizem que ele tem “jeito” para lidar com as pessoas e será um ótimo enfermeiro.

Ele é afetivo, olha para cada um de forma individual e cumprimenta os alunos pelo nome. A gente reclama por pouco, somos privilegiadas por estudar na juventude. Ele só conseguiu agora”, disse Bárbara Rocha à reportagem.