Na mesma semana em que o Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou testes de um medicamento antienvelhecimento para 2016, pela primeira vez, cientistas na Suíça, analisaram cerca de 40.000 genes, de três organismos diferentes, para identificar aqueles responsáveis ​​pelo envelhecimento físico.

 

A equipe da ETH Zurich também descobriu que, quando esses genes são alterados, o tempo de vida saudável dos animais de laboratório poderiam aumentar, oferecendo a possibilidade de alcançar algo semelhante em seres humanos.

 

Os pesquisadores começaram com uma seleção de 40.000 genes que são comuns ao verme nematoide C. elegans, peixes-zebra e ratos. Para descobrir quais desses genes estavam diretamente relacionados com o processo de envelhecimento físico, eles compararam o quão ativo eles estavam em três fases diferentes da vida: jovens, maduros e velhos.

 

Ao dispor essas informações em um modelo estatístico, eles identificaram 30 genes dos 40.000, como sendo diretamente relacionados ao envelhecimento nas três espécies. Eles também descobriram que estes genes foram ortólogos, ou seja, estão muito intimamente relacionadas entre si.

 

Além disso, todos se originaram a partir de um único gene do último ancestral comum partilhado por C. elegans, peixes-zebra e ratos. Os seres humanos possuem os mesmos 30 genes, o que animou os cientistas. “Nós olhamos apenas para os genes que são conservados na evolução e, portanto, existem em todos os organismos, incluindo os seres humanos”, disse o pesquisador Michael Ristow.

 

Para testar os seus efeitos, os investigadores modificaram o RNA mensageiro (RNAm) que codifica estes genes para bloquear seletivamente a sua expressão. Em pouco menos da metade dos genes, a ação de bloqueio fez com que as três espécies aumentassem o tempo de vida em pelo menos 5%, sem qualquer diminuição perceptível na saúde. Mas, um gene em particular, o bcat-1, parecia ser extremamente influente para determinar quanto tempo um animal iria viver. “Quando nós bloqueamos o efeito deste gene, a expectativa de vida média do nematoide aumentou significativamente, em até 25%”, disse Ristow.

 

Na publicação feita na Nature Communications, Ristow e seus colegas dizem que o gene bcat-1 carrega uma enzima que degrada ativamente aminoácidos de cadeia ramificada, incluindo os aminoácidos L-leucina, L-isoleucina e L-valina. Estes três estão entre os nove aminoácidos essenciais para os seres humanos, o que significa que eles são cruciais para manter o nosso desenvolvimento muscular e a saúde em geral. Eles são usados ​​atualmente para tratar a lesão hepática, e, muitas vezes, são ingredientes de produtos de nutrição esportiva.

 

Quando a atividade do gene bcat-1 foi bloqueada em vermes nematoides, estes aminoácidos de cadeia ramificada eram livres para se acumular nos tecidos, o que os pesquisadores relacionaram ao aumento na expectativa de vida. E mesmo com a expectativa de vida 25% maior, os vermes se moviam e reproduziam na velhice como se estivessem em seu auge da idade.

 

Agora, Ristow e sua equipe planejam investigar como alcançar estes efeitos nos seres humanos. O objetivo final não seria encontrar um tratamento que garanta uma vida útil mais longa aos seres humanos, e sim, descobrir um método para tornar as pessoas fisicamente mais saudáveis ​​por mais tempo.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Pixabay ]