Calafrios, confusão, dores musculares, fadiga e sudorese. Se você experimenta estes sintomas atualmente, provavelmente trata-se de uma gripe. Porém, se você sentisse os mesmos sintomas em 1485, sua família provavelmente iria começar a planejar seu funeral.

 

No final dos anos 1400 e início de 1500, estes sintomas quase certamente indicavam que a pessoa tinha sido vítima da misteriosa Doença Inglesa do Suor, que aparecia sem aviso prévio e matava em poucas horas.

 

De 1485 a 1551, cinco epidemias dessa doença terrível varreram a Inglaterra. Uma vez atingiu toda a Europa, com taxas de mortalidade de 30 a 50 por cento. A doença parecia ser prevalente entre os homens de classe alta, de modo que os membros da realeza e seus companheiros foram particularmente afetados. Devido a este fato, a doença do suor pode ter mudado o curso da história.

 

Em 1502, apenas seis meses depois de seu casamento com Catarina de Aragão, Arthur, príncipe de Gales, morreu repentinamente, aos 15 anos. Apesar da causa oficial da morte não ter sido registrada, alguns historiadores acreditam que Arthur foi vítima da doença do suor. Como o rapaz mais velho da família, Arthur teria ascendido ao trono se não tivesse sucumbido à doença. Seu irmão mais novo, Henry, Duque de York, acabou levando a coroa em seu lugar. Ele ficou famoso na história como Henry VIII, que casou-se com a viúva de seu irmão sete anos depois de sua morte, sendo a primeira de suas seis esposas.

 

Apesar de ter sido difícil para os médicos modernos rastrearem as origens da Doença Inglesa do Suor, acredita-se que ela era o resultado da síndrome pulmonar por hantavírus (HPS), que não foi reconhecida até 1993. Transmitida por alguns roedores, HPS tem os mesmos sintomas e uma taxa de mortalidade semelhante (38%) à doença do suor.

 

Mas mesmo se os médicos do século 16 estivessem cientes de que a condição misteriosa era, na verdade, HPS (também conhecida como Hantavirose) pouco poderiam ter feito para evitá-la. Até hoje não há cura ou vacina para o problema. A recomendação dos especialistas é que infestações de roedores sejam evitadas, algo muito difícil de fazer na Inglaterra do século 16. 

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