Medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, Diego Hypolito foi enfático ao explicar os motivos que o levaram a esconder sua sexualidade por toda sua vida.

Em declaração recente, Diego comentou que resolveu falar sobre a questão para evitar que outras pessoas entrassem em depressão ou sofressem como ele.

Em entrevista ao site UOL, o ginasta disse uma frase impactante ao dar uma entrevista falando sobre sua homossexualidade:

Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay, disse.

Diego lamentou, sobretudo, com a “solidão de não ter com quem compartilhar os dilemas de uma pessoa gay em uma sociedade preconceituosa”, de acordo com declaração dada pelo atleta.

Foto: Reprodução / Instagram

Todo mundo me zoava, zombava do meu jeito (…). Eu tinha certeza que se um dia eu saísse do armário publicamente, perderia patrocínios e minha carreira seria prejudicada”, disse.

Em entrevista ao site do Globo Esporte, o atleta também declarou sobre a sua sexualidade e os motivos que o levaram a falar sobre o assunto:

De um tempo para cá eu já tinha vontade de abrir isso, de contar, logo após os Jogos Olímpicos, porque achei que isso, durante minha vida toda, de certa forma, acabei sofrendo preconceitos, não só por parte das pessoas, mas comigo mesmo: medo de perder patrocínios, outras coisas. Estamos num tempo de mudança e precisamos mostrar um bom exemplo independentemente de sexualidade. As pessoas têm que entender e respeitar as pessoas como elas são. Eu venho de uma raiz bastante humilde, eu não falava disso nem com minha própria família, e depois dos Jogos eu falei: ‘Tenho que falar disso’, porque isso motiva outras pessoas a não entrarem em depressão por conta disso. Eu vejo até muitas pessoas se suicidando, e isso é uma coisa que me preocupa bastante. A gente precisa mudar essa visão, ninguém é melhor que ninguém, ninguém é diferente de ninguém, por que não dar a oportunidade para outras pessoas também se sentirem assim?”, comentou.

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Falando ao Folha de SP, Diego afirmou ter tido medo de falar sobre ser gay também por sua religião. Ele foi criado em igrejas cristãs, e disse que em sua cabeça, ser gay era “algo do demônio”. Hoje, frequenta a igreja Bola de Neve.

Quando eu tinha uns dez anos, um treinador foi dizer para a minha mãe que ela devia mudar minha educação para que eu não virasse gay. Ela veio falar comigo, preocupada. Eu era muito inocente, nem sabia o que era isso. Mas isso me marcou”, disse.

Ainda em entrevista ao Globo Esporte, Diego disse que não irá se afastar da sua crença religiosa, e que somente Deus pode julgá-lo:

O mundo tem tanta represália, as pessoas te olham sem entender, o que faço com isso é pedir mais respeito. O que quero é que realmente que as pessoas sejam mais livres, não levanto nenhum tipo de bandeira, não vou mudar minha personalidade por causa disso, mas ao mesmo tempo também preciso ser livre. Eu acredito que as pessoas nascem assim”.

O ginasta comentou ainda que teve medo de se prejudicar em sua carreira e por isso optou pelo silêncio. Somente em 2014, quando se preparava para o Mundial da China, tomou coragem de dizer para sua mãe que era gay, mas travou no telefone.

Em seguida ele mandou uma mensagem para a mãe dizendo que a amava muito e que esperava que este fato não mudasse a relação de amor entre eles.

Segundo ele, sua mãe não foi muito receptiva ao conteúdo da mensagem, não sendo “gentil” com ele. Após o episódio, Diego teria ficado com vergonha de encarar sua família e se afastou por quase 1 ano e não participou do Natal naquele ano.

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Essa coisa de ser um demônio não saía da minha cabeça”, disse.

Diego considera que comentar sobre sua sexualidade era o “último fantasma” que ele guardava dentro de si. Em 2018, o atleta tornou público vários abusos que sofreu durante trotes nos treinamentos de ginástica, quando ele era mais novo.

Em um dos relatos à época, ele disse que foi preso em algo chamado de “caixão da morte”, um equipamento para treino usado para segurar uma pilha com o ânus. Além disso, ele já foi obrigado a ficar sem roupa, com mais dois atletas, com a frase escrita no peito dos três: “Eu sou gay”.

Diego Hypólito termina a entrevista ao UOL de forma bastante emocionante, dando a seguinte declaração:

Sei que pode ter gente que vai deixar de gostar de mim depois de conhecer a minha história, sei que no culto posso viver situações de preconceito, sei que vir a público e falar tudo isso pode irritar algumas pessoas. Ninguém é obrigado a entender nada, mas é obrigado a respeitar. Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay”.