Assim como a maioria dos venenos terríveis, a estricnina ganhou sua reputação rapidamente.

Ao contrário de venenos mais terríveis, raramente foi confundida com qualquer outra coisa. Porém, a estricnina é um dos venenos mais comuns e menos sutis do mundo.

Estricnina é um alcaloide, o “primo malvado” de drogas como a cafeína, nicotina, cocaína e teobromina (presente no cacau e chocolate). Todos estes são compostos básicos ricos em nitrogênio que as plantas produzem a si mesmas quando não querem se alimentar.

Este plano não funciona muito bem com os alcaloides famosos, uma vez que os seres humanos têm enlouquecido tentando consumir tanto quanto possível. 

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O alcaloide vem da planta medicinal Strychnos nux-vomica. ‘Strychnos’ veio da mente de Carl Linnaeus, que a classificou por volta de 1753, mas era conhecida pela população da Índia antes disso. ‘Vomica’ origina-se de um nome indiano.

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Embora não existam intoxicações específicas relatadas por estricnina no passado indiano, um livro de 1900 fala de uma espécie de mercado negro de estricnina através de uma droga chamada “Kurchi” – tônico amargo, mas inofensivo para doenças leves.

Aqueles que realmente sabiam, encontrariam Kurchi com a polpa em pó da ‘nux vomica’, um veneno mortal para suas vítimas.

A estricnina mata através de asfixia, paralisando os músculos que controlam a respiração. Os sintomas preliminares de envenenamento começam com dor extrema e rigidez nos músculos, especialmente ao redor do pescoço, mandíbula e abdômen.

É seguido por espasmos musculares intensos e até mesmo convulsões. As pessoas que estão envenenadas sabem que algo está muito errado com elas. Há algumas ambiguidades. Envenenamento por estricnina acontece de repente, mas se parece muito com o envenenamento por tétano.

O comércio de estricnina começou na Europa, de forma naval, ao redor do mundo. É fácil ver como o comércio do veneno começou. Todos os navios têm ratos e não os querem comendo sua comida e propagando doenças.

Estricnina pode ser usada como um veneno de rato, embora hoje seja raro, pois é considerado desumano até para os animais. Também é muitas vezes comido por outros animais domésticos, o que seria um problema.

Ao longo da história há exemplos de seres humanos que acidentalmente tomaram estricnina. Em 1892, o escritor Henry Randolph comprou um monte de estricnina para envenenar um gato. Ele guardou o veneno na gaveta de sua mesa de cabeceira.

Uma noite, Randolph acordou e decidiu tomar uma dose de quinino, outro alcaloide amargo vendido em forma de pó. Tateando no escuro, ele pegou o errado e morreu três horas e meia mais tarde.

Estricnina provoca convulsões através da ligação ao receptor da glicina, o que faz com que os neurotransmissores queimem, mesmo quando existe um nível baixo de estímulo. Os nervos constantemente aumentam a energia do sistema nervoso, agitando muito a pessoa acometida.

Em 1896, um médico escreveu para a revista científica The Lancet sobre sua experiência com estricnina. Ele a injetou em si mesmo com um “brometo de potássio e de cloro”.

Ele escreveu: “pouco tempo depois eu perdi a consciência e cai em um sono profundo, despertando na manhã sem sintomas desagradáveis, nenhuma dor de cabeça, mas um desejo de ficar em movimento e uma ligeira sensação de rigidez na mandíbula. Isso durou o dia todo”. 

No entanto, a estricnina é usada como um veneno e não como algo sutil. Em 1800, o médico Thomas Neill Cream usou estricnina para matar pessoas, pela primeira vez, em Chicago, onde ele prescrevia a droga em pequenas quantidades a seus pacientes, e, em seguida, em Londres, colocou-as em bebidas de prostitutas que ele conhecia em bares.

Foto: Reprodução / Wikipédia

Em 1904 Jane Stanford, cofundadora da Universidade de Stanford, foi envenenada duas vezes quando garrafas de água de soda que ela bebeu continham estricnina.

A segunda vez foi fatal. Embora exista uma lista de suspeitos, ninguém nunca foi pego. Na década de 1980, uma mulher chamada Patsy Wright foi morta quando um frasco de remédio em sua mesa de cabeceira estava contaminado com estricnina. Até hoje ninguém sabe quem a envenenou.

A popularidade da estricnina provavelmente existe até hoje devido, principalmente, a sua disponibilidade. É possível comprar enormes quantidades e armazená-las em casa, por um longo período de tempo.

Porém, é recomendado que as pessoas jamais entrem em contato com o veneno, principalmente se você for um assassino em potencial e esconde um “doce” psicopata dentro de você.