Comprimidos de suplemento de ferro são tomados por milhões de pessoas no mundo. Porém, um novo estudo revela que eles podem danificar o corpo apenas 10 minutos após a ingestão. Os testes mostraram que o mineral causa danos ao DNA dos vasos sanguíneos, pois níveis de ferro muito altos podem ser prejudiciais.

 

Os testes revelaram que os suplementos de ferro podem conter quantidades até 10 vezes superiores às necessárias para a saúde. Os pesquisadores sugerem que, no futuro, os médicos tomem mais cuidado com a prescrição da dose mínima de ferro necessária para os pacientes.

 

O ferro é um elemento essencial para a vida. Muitas mulheres recebem o suplemento após a gravidez e ele também é utilizado como um tratamento de anemia, condição causada por baixos níveis do mineral no corpo. Apenas na Inglaterra e no País de Gales, são prescritos, anualmente, seis milhões de comprimidos de ferro.

 

Segundo a Dr.ª Claire Shovlin, autora principal do estudo, do Instituto Nacional do Coração e Pulmão do Imperial College London, na Inglaterra, os homens precisam de uma média de 8,7mg de ferro por dia, e as mulheres que estão menstruadas precisam de 14,8mg por dia.

 

Um bife de 100g tem 3mg de ferro, enquanto que o mesmo peso de espinafre contém 2,7mg. Portanto, seria extremamente difícil consumir mais de 20mg de ferro pela comida. Os suplementos de baixas doses podem ser comprados em farmácias e supermercados, contendo cerca de 14mg cada, ou seja, o equivalente à recomendação diária. Porém, se uma pessoa desenvolve anemia, podem ser prescritos comprimidos de dose mais elevada pelo médico, chegando até a 65mg de ferro.

 

Shovlin e sua equipe testaram o efeito de tais doses elevadas do mineral em células endoteliais humanas, ou seja, as que revestem as artérias e veias. Ela tratou as células com uma solução de ferro comparável à observada no sangue depois de uma pessoa tomar um comprimido suplementar de ferro.

 

Dentro de dez minutos, ela descobriu que as células tratadas com a solução apresentaram danos, ativando sistemas de reparo do DNA, que continuaram por até seis horas. “Todas as células do corpo têm sistemas de reparo do DNA que podem corrigir todos os tipos de danos nas células. Mas quando nós adicionamos ferro, vimos que esses sistemas tiveram que trabalhar mais do que o normal”, relatou ela.

 

Porém, ela ainda não sabe se danos aos vasos sanguíneos descobertos em um ambiente de laboratório poderiam se traduzir em algo prejudicial ao sistema circulatório dos seres humanos, mas tudo indica que as células são mais sensíveis ao ferro do que se pensava anteriormente.

 

Shovlin e sua equipe decidiram pesquisar o ferro após relatos de um grupo de pessoas que usam comprimidos do suplemento e possuem telangiectasia hemorrágica hereditária (HHT) – condição que causa anormalidades nos vasos sanguíneos – indicarem efeitos colaterais. Eles descobriram que o sangramento no nariz piorou após o tratamento com ferro.

 

Ela ressaltou que suplementos de ferro prescritos são essenciais para muitos pacientes e pediu às pessoas que não parem de tomar seus comprimidos.

 

“Nós não estamos na fase de aconselhar os médicos a mudar suas abordagens de prescrever suplementos de ferro. Muitas pessoas precisam de ferro adicional e qualquer um que tiver dúvidas sobre os seus suplementos devem conversar com seu médico. No entanto, este estudo ajuda a abrir a conversa sobre a quantidade necessária. No momento, um comprimido de ferro contém quase 10 vezes a quantidade de ferro recomendada diariamente, e estas doses não mudaram durante mais de 50 anos. É preciso tentar adequar a dose para o paciente”, relatou a especialista.

 

Cientistas não envolvidos no estudo disseram que são necessárias mais pesquisas para determinar se o ferro é realmente prejudicial. A Dr.ª Claire Clarkin, professora de biologia da Universidade de Southampton diz que a pesquisa diz respeito a um único tipo de célula e é preciso confirmar se um vaso sanguíneo – composto de muitos tipos de células – se comporta da mesma maneira. Já Susan Fairweather-Tait, especialista em metabolismo da Universidade de East Anglia, acredita que a forma de ferro utilizada no estudo não era comparável à forma encontrada em seres humanos vivos.

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Torange ]