Uma das principais hipóteses para explicar o universo é a Teoria das Cordas. Aspectos desta teoria sugerem que não existe apenas uma, mas sim várias dimensões diferentes nele, com as quais podemos estar interagindo o tempo todo, completamente inconscientes. Se isso é verdade, como são essas dimensões e como elas podem nos afetar?

 

Big Bang

Vivemos em mundo “3D”, e podemos pensar nele em termos de latitude, longitude e altitude – uma maneira de localizar qualquer objeto na Terra. Em seguida, vem uma quarta dimensão, o espaço-tempo. Tudo tem de ocorrer em algum lugar e em um determinado momento. Depois disso, as coisas ficam estranhas. A Teoria das Cordas, uma das principais teorias hoje para explicar a natureza do nosso universo, afirma que existem 10 dimensões – nove de espaço e uma de tempo. Antes do Big Bang, os físicos creem que tudo era condensado em um único ponto de densidade e temperatura infinitas, conhecido como “singularidade”. Este ponto explodiu, formando tudo no universo observável. O problema é que não podemos voltar atrás. É aí que entra a Teoria das Cordas: ela permite explicar a gravidade e o que existia antes do Big Bang.

 

As dimensões

Os físicos têm apenas uma vaga ideia de como estas dimensões todas poderiam ser. Na quinta dimensão, abrem-se outras possibilidades para o nosso mundo. Você seria capaz de avançar ou retroceder no tempo, assim como já pode fazer no espaço. Você também seria capaz de ver as semelhanças e diferenças entre o mundo que habitamos e outros possíveis. Na sexta dimensão, você não se moveria em uma linha, mas em um plano de possibilidades, as quais você seria capaz de comparar e contrastar. Na quinta e sexta dimensões, não importa onde no espaço você habitasse, você testemunharia todas as permutações possíveis do que poderia ocorrer no passado, presente e futuro.

 

Na sétima, oitava e nona dimensões, abrem-se a possibilidade de outros universos, onde as próprias forças físicas da natureza mudam, onde a gravidade opera de forma diferente e a velocidade da luz é diferente. Assim como na quinta e sexta dimensões, onde todas as permutações possíveis no universo são evidentes diante de você, na sétima dimensão todas as possibilidades desses outros universos operando sob estas novas leis tornam-se claras. Na oitava dimensão, chegamos ao plano de todas as histórias e futuros possíveis para cada universo, ramificando-se para o infinito. Na nona dimensão, todas as leis universais da física e as condições de cada universo tornam-se aparentes. Finalmente, na décima dimensão, chegamos ao ponto em que tudo se torna possível e imaginável.

 

Onde estão seis delas?

Para que a Teoria das Cordas funcione de uma maneira consistente com a natureza, pelo menos seis dimensões desconhecidas de nós são necessárias. Como essas outras dimensões estão em uma escala muito pequena, é difícil encontrar evidências de sua existência. Uma maneira seria olhar para o passado usando telescópios poderosos que podem caçar a luz de bilhões de anos atrás, quando o universo nasceu. A Teoria das Cordas tem uma resposta para o que veio antes do Big Bang. O universo era composto por nove dimensões perfeitamente simétricas, sendo a décima o tempo. Enquanto isso, as quatro forças fundamentais se uniram em temperaturas extremamente altas. A estrutura estava sob alta pressão. Logo, se tornou instável e se quebrou em duas partes.

Isso criou duas formas diferentes de tempo e levou ao universo tridimensional que conhecemos hoje. Enquanto isso, as outras seis dimensões diminuíram de tamanho até o nível subatômico. Quanto à gravidade, a Teoria das Cordas afirma que as unidades básicas do universo são cordas – filamentos infinitamente pequenos e vibrantes de energia. Eles são tão pequenos que seriam medidos na escala de Planck – a menor escala conhecida pela física. Cada corda vibra a uma frequência específica e representa uma certa força. A gravidade e todas as outras forças são, portanto, resultado das vibrações de cordas específicas.

 

Testando

Enquanto esta hipótese é muito interessante, também é muito difícil de testar, a não ser através de equações matemáticas avançadas. Algumas experiências foram feitas usando supercomputadores, que podem executar simulações e fazer previsões. Isso não é exatamente o suficiente para provar que é verdadeira, mas é útil e fornece suporte para descobertas posteriores.

 

Além das observações astronômicas, os físicos esperam que experimentos com o Grande Colisor de Hádrons, na fronteira franco-suíça, possam oferecer evidências de dimensões extras.

[ BigThink via HypeScience ] [ Fotos: Reprodução / BigThink ]