O fraturamento hidráulico, ou Fracking, é uma técnica projetada para recuperar gás e óleo de rochas de xisto. Uma técnica que é muito usada nos EUA, o Fracking sofre a resistência de grupos ambientalistas pelos riscos que traz. Mas por que ele é tão polêmico?

Fracking é o processo de perfuração da terra antes que uma mistura de água de alta pressão seja direcionada para a rocha para liberar o gás no interior. Água, areia e produtos químicos são injetados na rocha a alta pressão, o que permite que o gás flua para a cabeça do poço. O processo pode ser realizado verticalmente ou, mais comumente, perfurando horizontalmente a camada de rocha e pode criar novas vias para liberar gás ou pode ser usado para estender os canais existentes. O termo Fracking refere-se a como a rocha é fraturada pela mistura de alta pressão.

O Fracking permite que as empresas de perfuração acessem recursos de petróleo e gás difíceis de alcançar. Nos EUA, aumentou significativamente a produção de petróleo doméstico e reduziu os preços do gás. Estima-se que o uso do Fracking tenha oferecido segurança de gás para os EUA e o Canadá por cerca de 100 anos e tenha apresentado uma oportunidade para gerar eletricidade à metade das emissões de CO2 do carvão.

Controvérsia

Porém, o uso extensivo de Fracking nos EUA, onde revolucionou o setor de energia, provocou preocupações ambientais. O Fracking usa enormes quantidades de água, que deve ser transportada para o local onde é feito o procedimento, com um custo ambiental significativo. Os ambientalistas dizem que os produtos químicos potencialmente carcinogênicos usados ​​podem escapar e contaminar a água subterrânea em torno do local do Fracking. A indústria sugere que incidentes de poluição são os resultados de práticas mal feitas, e não pela técnica ser inerentemente arriscada. Também há preocupações de que o processo de Fracking possa causar pequenos tremores de terra.

 

Além disso, os ativistas dizem que o Fracking tira o foco das empresas de energia e dos governos na busca pelo investimento em fontes renováveis ​​de energia. Em vez disso, a técnica ajudaria a incentivar a dependência contínua de combustíveis fósseis. No Reino Unido, assim como no Brasil, a controvérsia sobre o uso do fraturamento hidráulico está a todo vapor. “O gás de xisto não é a solução para os desafios energéticos do Reino Unido”, diz Tony Bosworth, ativista da energia da rede internacional de organizações ambientais Amigos da Terra. “Precisamos de uma revolução energética do século XXI baseada na eficiência e nas energias renováveis, e não mais combustíveis fósseis que irão aumentar as mudanças climáticas”.

Na sequência do acordo de mudança climática de Paris, Craig Bennett, presidente executivo da Amigos da Terra, disse que o governo britânico devia “acabar com o escandaloso apoio britânico aos combustíveis fósseis, inclusive Fracking”. Por aqui, organizações ambientais lutam contra o Fracking mesmo antes dele chegar ao território brasileiro. Em 2013, a 12.ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) ofertou blocos de gás de xisto ou gás não convencional, o que causou revolta no meio. Desde então, ONGs ambientalistas têm trabalhado para evitar o Fracking. Atualmente, 284 municípios nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Acre, Maranhão, Ceará, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul já possuem leis municipais de proibição à técnica.

[BBC via HypeScience ] [ Fotos: Reprodução / BBC ]