Era para ter acontecido uma conferência na Malásia chamada “Amor e Sexo com Robôs”, mas ela foi cancelada. A polícia da Malásia a classificou como “ilegal” e “ridículo”. “Não há nada de científico sobre sexo com robôs”, disse um chefe de polícia. No entanto, outros acreditam que há muitos aspectos interessantes e importantes sobre o assunto.

 

Por exemplo, há muita curiosidade sobre Ava e Kyoko, os robôs capazes de fazer sexo no filme “Ex Machina”. No filme, são explicados conceitos como o Teste de Turing – que diferencia inteligência humana de artificial. Mas, inevitavelmente, como é uma obra de ficção, os robôs que acabam “ligando” os humanos.

Pondo de lado a Inteligência Artificial (AI) e os filmes aterrorizantes sobre robôs, como “Oblivion”, “Robocop”, e “Transcendência”, há uma questão moral quando se trata de intimidade com um robô?

 

Alguns acreditam que há. Existe uma campanha para acabar com robôs sexuais sob o argumento de que os robôs sexuais reforçariam a desigualdade de gênero. Ela utiliza argumentos semelhantes aos usados contra a pornografia e prostituição. No entanto, se você argumentar que algo deveria ser proibido porque reforça a desigualdade entre os gêneros, você estaria proibindo a Ilíada, várias peças de Shakespeare ou romances de Jane Austen. Se esta é a objeção, pode-se, sem dúvida, desenvolver robôs sexuais que não reforcem estereótipos de gênero, seja no comportamento ou forma.

 

Uma preocupação mais destacada sobre robôs sexuais poderia ser: o que aconteceria se todo mundo começasse a dormir com robôs? A humanidade acabaria se máquinas se proliferassem? Talvez estaríamos no mesmo lugar em que estamos agora. A invenção de brinquedos sexuais não causou o fim do casamento e da reprodução. Um argumento a favor do uso de robôs sexuais, como diz David Levy, é que as prostitutas-robô são um mal menor do que as humanas. O uso de robôs sexuais poderia substituir a prostituição, reduzindo o tráfico humano, sem submeter mulheres à “degradação” do trabalho sexual. Prostitutas robô também seriam mais seguras e, portanto, preferíveis.

 

Talvez o dilema moral é se o ato sexual com um robô contaria como adultério. Mas será que um orgasmo com um vibrador caracteriza adultério? Um robô sexual hoje pode não ser mais do que um artefato programado, mas em alguns anos, quem imagina como será a aparência deles?

 

Ligação Artificial

Talvez uma questão moral mais tratável a curto prazo é o que Matthias Scheutz, diretor do Laboratório de Interação Robô Humana na Universidade Tufts, chama de “laços emocionais unidirecionais”. Isto é, quando alguém se apaixona por um robô, mas o robô não pode, genuinamente, retribuir o sentimento.

 

É sabido que os humanos podem ter relacionamentos afetivos com robôs. Pessoas dão nome a seus aspiradores-de-pó, e até mesmo os apresentam aos seus pais. Pode-se certamente programar um robô que expresse amor. Ele poderia olhar para você com seus olhos robóticos dilatados e segurar sua mão. Poderia reproduzir música como o personagem “Gigolo Joe” em Inteligência Artificial. Mesmo sem sentir absolutamente nada, um robô poderia fazer tudo isso.