Um estudo recente sugeriu que a legalização da maconha apenas para fins médicos pode diminuir as taxas de obesidade, por conta das propriedades analgésicas da Cannabis sativa.

 

A erva faria os usuários ter uma vida mais ativa, resultando em hábitos mais enérgicos, podendo até mesmo levar à exclusão do consumo de álcool e outros alimentos de alto teor calórico.

 

O estudo, publicado na Health Economics, examinou dados obtidos entre 1990 e 2012, como parte do Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS), que possui informações sobre vários aspectos do estilo de vida dos participantes. Segundo os pesquisadores, a legalização da maconha, que já entrou em vigor em alguns Estados dos EUA, poderia ocasionar uma melhoria mensurável na redução da obesidade.

 

Curiosamente, este efeito não pode ser atribuído a uma única causa, e sim, a uma série de fatores que se aplicam a grupos demográficos específicos.

 

Por exemplo, o estudo descobriu que pessoas mais velhas tendem a usar maconha medicinal para ajudar a tratar dores debilitantes, posteriormente capazes de serem mais dispostas, estando menos prejudicadas por distúrbios físicos.

 

As pessoas mais jovens, por sua vez, informaram que a legalização da maconha medicinal encareceu o produto, fazendo a procura pelo álcool, por exemplo, aumentar. A porção média de cerveja possui cerca de 150 calorias, e uma taça de vinho, em média, 120. Porém, a maconha contém canabinóides, que se ligam a receptores do cérebro, transmitindo sinais para várias partes do corpo, incluindo o sistema gastrointestinal.

 

Estes sinais influenciam a sensação de fome, e são responsáveis ​​pelo efeito da chamada “larica”, ​​comumente associada ao uso de maconha. Independentemente disso, os autores do estudo concluem que há uma redução de 0,4% para 0,7% no índice de massa corporal (IMC) e uma redução de 2% a 6% na obesidade. Eles também observam que esses efeitos tendem a aumentar cerca de cinco anos após o consumo constante.

 

Em declarações à IFLScience, o coautor do estudo, Tim Young, da San Diego State University, disse que esses dados representam apenas “um dos primeiros passos para entender as implicações mais amplas de saúde pública ao aprovar as leis da maconha medicinal”.

 

Porém, ele recomenda cautela ao tirar conclusões sobre o estudo da Cannabis sativa no tratamento da obesidade, explicando que “não há, necessariamente, uma relação direta de causalidade entre a ingestão da maconha e declínios da massa corporal”, uma vez que estes resultados foram mediados através de mudanças de estilo de vida.

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