Foi preso nesta manhã de quinta-feira (21/3) o ex-presidente do Brasil, Michel Temer, do partido MDB. A prisão é mais um desdobramento da Operação Lava Jato.

O mandado foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara do Rio de Janeiro. Também foi preso o ex-ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, além do Coronel Lima, homem de confiança de Temer, de acordo com informações do jornal El País.

A operação faz parte do desmembramento da 16ª fase da Operação Lava Jato que recebeu o nome de Radioatividade, que tem como objetivo investigar o pagamento de propina para vários dirigentes da Eletronuclear – desde 2015.

Michel Temer foi denunciado em dezembro na Lava Jato e o processo foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro no setor portuário de Santos.

Ao sair da Presidência da República, a situação jurídica de Temer se complicou pela perda dos direitos de foro privilegiado, o que fez com que seus processos no STF fossem levados para a primeira instância da Justiça. Michel Temer ainda tem outras cinco investigações em curso – ao total, o ex-presidente é alvo de 10 inquéritos.

A Polícia Federal emitiu nota à imprensa para confirmar a operação que levou o ex-presidente para a cadeia.

A nota diz: “A Polícia Federal deflagrou hoje (21/03) a Operação Descontaminação e cumpre 08 Mandados de Prisão Preventiva, 02 Mandados de Prisão Temporária e 24 Mandados de Busca e Apreensão nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná e no DF.

A investigação decorre de elementos colhidos nas Operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade deflagradas pela PF anteriormente e, notadamente, em razão de colaboração premiada firmada pela Polícia Federal.

Os mandados foram expedidos pela 7° Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro“. 

Foto: José Cruz/Agência Brasil via Wikipedia Commons

Eduardo Carnelós, advogado de Michel Temer, considerou a prisão uma “barbaridade”, segundo o portal Metrópoles.

Ascensão ao poder

Foto: Reprodução / Wikipedia Commons

Miguel Temer (PMDB – à época o partido tinha um “P” na sigla) foi o 37º presidente do Brasil chegando ao poder no dia 31 de agosto de 2016. Seu mandato só foi possível após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Anterior ao cargo maior, o ex-presidente foi deputado constituinte e eleito quatro vezes deputado federal, além de já ter sido presidente da Câmara.

Partido de Temer emite nota

O partido afirma que “lamenta” a prisão: “Não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Miguel Temer e do ex-ministro Moreira Franco”, afirmaram. Abaixo, a íntegra da nota:

“O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa.”