Cientistas criaram um novo tipo de polímero superabsorvente que poderia revolucionar as indústrias de saúde e da moda.

 

O polímero pode aguentar 1.000 vezes o seu próprio peso e ser programado em um formato temporário até que receba calor e volte a sua forma original. Ao alterar o número e os tipos das ligações moleculares que conectam os fios individuais, os pesquisadores foram capazes de adaptar a estabilidade do material e definir o ponto em que a mudança de forma é acionada.

 

O material criado pela equipe liderada pelo professor de engenharia química Mitch Anthamatten, na Universidade de Rochester, nos EUA, altera sua forma com a incidência natural do calor, abrindo a porta para novas aplicações, sejam elas usuais ou médicas. “O ajuste de temperatura é apenas uma parte da história. Nós também projetamos estes materiais para que possam armazenar grande quantidade de energia elástica, permitindo-lhes realizar mais trabalho mecânico durante a sua recuperação de forma”, relatou Anthamatten.

 

O primeiro passo na concepção deste material com o poder de mudar de forma foi a identificação de como controlar a cristalização que ocorre quando o material é resfriado e esticado. Cadeias de polímero são localmente esticadas e pequenos segmentos acabam se situando no mesmo sentido, em pequenas áreas que fixam o material temporariamente deformado.

 

À medida que o número destas áreas de cristalização cresce, a forma do polímero torna-se cada vez mais estável, ficando cada vez mais difícil para o material a voltar à sua forma inicial. Ao incluir ligações moleculares como uma maneira de conectar os fios de polímeros individuais, os investigadores descobriram como ajustar a temperatura necessária.

 

Aquecer o novo polímero a temperaturas próximas de 35 °C, logo abaixo da temperatura do corpo, faz com que a cristalização seja quebrada e o material possa voltar a sua forma definitiva. “Nosso polímero é como um elástico que pode se alterar para uma nova forma quando esticado, mas um simples toque faz com que ele recue de volta a sua forma original”, relatou o pesquisador.

 

Anthamatten e sua equipe queriam que o material fosse capaz de fornecer uma grande quantidade de trabalho mecânico quando voltasse a sua forma permanente. Consequentemente, eles resolveram otimizar suas redes de polímeros para armazenar a maior energia elástica possível.

 

O polímero criado pode aguentar um objeto de até 1.000 vezes o seu peso, podendo ter uma grande variedade de aplicações, como a criação de suturas e pele artificial, além de auxiliar equipamentos médicos que controlem a temperatura do corpo e com aparelhagem autoajustável. 

[ Universidade de Rochester ] [ Foto: Reprodução / Universidade de Rochester ]