Um parasita comum, encontrado em alimentos mal cozidos e nas fezes de gatos contaminados, está presente em cerca de 80% das pessoas.

Ele não representa uma grande ameaça, em geral, mas pode causar sérias complicações para mulheres grávidas ou pessoas com o sistema imunológico comprometido, além de poder alterar o comportamento psicológico das pessoas.

Agora, um novo estudo realizado por pesquisadores da Austrália descobriu como o parasita, chamado Toxoplasma gondii, captura células hospedeiras e estoca alimentos para se manter vivo. A descoberta pode permitir que tratamentos sejam criados.

Em infecções humanas, o Toxoplasma gondii exige que uma célula hospedeira humana, como um neurônio, permita sua presença. Para possibilitar seu próprio crescimento e sobrevivência, a célula hospedeira sequestra o parasita que, por sua vez, pode hibernar durante décadas através da criação de reservas alimentares.

“Infecção de toxoplasma causa grandes mudanças na célula hospedeira para prevenir o ataque do sistema imunológico e permitir-lhe um constante fornecimento de nutrientes. O parasita consegue isto através do envio de proteínas na célula hospedeira, manipulando as vias celulares do hospedeiro, causando seu crescimento e reprodução”, disse Chris Tonkin, do Walter e Eliza Hall Institute.

O parasita, que também infecta seres humanos através da carne mal cozida infectada pelo parasita, pode viver dentro de nós sem ser detectado o resto de suas vidas. Apenas em determinadas circunstâncias, o parasita pode se manifestar, em diversas partes do corpo, incluindo olhos e cérebro, podendo até mesmo afetar e levar ao desenvolvimento de doenças e sintomas mentais. 

Há uma associação entre a infecção pelo toxoplasma e doenças psiquiátricas, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar. Agora é possível testar se as proteínas enviadas a partir do parasita em hibernação em um neurônio hospedeiro é capaz de interromper a função normal do cérebro e contribuir para o desenvolvimento destas doenças, acrescentou Tonkin.

A identificação possibilitou que tratamentos possam ser desenvolvidos para excluir o parasita dormente. “Descobrimos que, de forma similar a animais que se preparam para a hibernação, a espécie de parasita Toxoplasma gondii estocam grandes quantidades de amido ao tornarem-se dormentes. Ao identificar e desativar o interruptor que comanda o armazenamento de amido, descobrimos que poderíamos matar os parasitas dormentes, impedindo-os de estabelecer uma infecção crônica, explicou o pesquisador.

Os resultados foram publicados nas revistas Cell Host & Microbe e eLife. Agora, um estudo mais aprofundado irá analisar se as novas descobertas podem levar a vacinas para proteger as mulheres grávidas, ou ajudar a desenvolver medicamentos para limpar infecções em pessoas com sistema imunológico debilitado. Portanto, pessoas deste grupo de risco precisam tomar cuidado redobrado, principalmente ao manusear caixas de areia para gatos e cozinhar bem as carnes compradas.

Os gatos, apesar de serem considerados vilões, são os mocinhos nesta história toda: estima-se que apenas 1% dos gatos sejam contaminados com o parasita e é necessário ter contato direto com as fezes destes gatos contaminados e ingerir esses dejetos para que a contaminação ocorra. É mais fácil você contrair de carne malcozida do que de um gato doméstico. 

“Os gatos são um dos transmissores primários de parasitas da toxoplasmose. Se eles forem transmitidos para as mulheres grávidas, por exemplo, através do contato com areia para gatos, há um risco substancial de aborto ou defeitos de nascimento. Esperamos usar nossas descobertas para o desenvolvimento de uma vacina que interrompa a transmissão através dos gatos, evitando que existam consequências catastróficas”, finalizou Tonkin.

Então, é sempre importante fazer o teste de toxoplasmose no seu gato com o veterinário e, caso der positivo, basta usar luvas e máscaras na hora de trocar a areia do seu gatinho de estimação que, desta forma, a contaminação não ocorrerá. Não há necessidade alguma de “se livrar” do animal em caso de teste positivo, além de ser crime o abandono de animais. 

Via: Science Alert Imagens: Reprodução / Flickr