A formação do nosso Sistema Solar é complexa e difícil de compreender, tanto por ter acontecido há cerca de 4.5 bilhões de anos, quanto por requerer simulações de computador complexas para recriar o que pode ter ocorrido.

 

Cientistas da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália e da Universidade de Lyon, na França, uniram-se para criar um mapa bidimensional da química presente na poeira que existiria na nebulosa solar – a nuvem de poeira que deu origem ao Sistema Solar.

 

A hipótese da nebulosa solar é a ideia de que o Sistema Solar foi formado pelo colapso de uma nuvem molecular maciça. Esta nuvem tinha densidade e tamanho suficientes para produzir moléculas e poeira, que, em seguida, agregaram-se e colidiram em conjunto para, eventualmente, criar o Sistema Solar que conhecemos hoje.

 

Assim, as últimas pesquisas, publicadas na Monthly Notices da Royal Astronomical Society, investigaram sequências unidimensionais da condensação radial, que podem apenas simular uma camada da nebulosa solar de cada vez. Isso deixa espaço para erros e produz simulações que não podem explicar adequadamente a química global da nuvem molecular.

 

No entanto, este novo trabalho descreve um modelo que tem duas dimensões, permitindo aos pesquisadores, entender a química por trás do sistema, bem como abordar as diferentes zonas de elementos mais pesados ​​dentro da nebulosa solar. “Os novos cálculos bidimensionais nos deram uma ideia mais clara da química intocada do nosso Sistema Solar logo após sua formação. Embora a nebulosa solar seja fina, ela é bidimensional”, disse o pesquisador Francesco Pignatale. 

 

O interior do Sistema Solar seria muito quente para permitir que moléculas voláteis, como água e metano, condensassem. Planetesimais (corpos rochosos ou de gelo que supostamente surgiram no início do Sistema Solar), ou protoplanetas, são compostos a um alto ponto de fusão, assim como metais e silicatos rochosos. Os existentes no Sistema Solar exterior seriam formados a partir de moléculas voláteis únicas em temperaturas mais frias. Supõe-se que a distribuição de poeira siga os mesmos padrões.

 

No entanto, quando os novos mapas 2D foram produzidos pela equipe, foi revelado que alguns materiais de alta temperatura foram encontrados a grandes distâncias do Sol, e que os materiais voláteis estavam dentro do disco interno.

 

“Isto faz com que seja possível encontrar regiões de temperaturas relativamente elevadas a distâncias maiores do Sol, ainda sendo aquecidas pelos raios solares. Também descobrimos que as regiões mais frias do disco interno possuem elevada concentração de poeira e evita a radiação estelar de forma eficiente, possibilitando o aquecimento do ambiente local”, disse Pignatale.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / NASA ]