Cientistas acreditam ter encontrado uma explicação para as “super menstruações” sofridas por um terço das mulheres do mundo. Este pequeno estudo se diferencia dos outros porque não culpa os hormônios por este problema, mas sim uma proteína do útero. Enquanto a maioria das mulheres perde até 40 ml de sangue a cada menstruação, cerca de 30% das mulheres perde até 80 ml em pelo menos um ciclo menstrual na vida. Algumas vezes, esse sangramento excessivo é causado por problemas físicos como endometriose ou mioma uterino. Mas em metade dos casos, os médicos não conseguem explicar o que está acontecendo. 

 

“Sangramento menstrual intenso é um dos casos mais comuns da procura por um médico ginecologista”, diz o autor principal da pesquisa, Jackie Maybin, da universidade de Edimburgo (Reino Unido). “Isso pode ter um grande impacto na qualidade de vida da pessoa”, complementa. Quando não há uma explicação física, os médicos podem controlar o problema com medicamentos hormonais, como a pílula anticoncepcional, ou remédios que facilitam a coagulação sanguínea, como o ácido tranexâmico.

 

Proteína HIF1

Mas a pesquisa da Universidade de Edimburgo sugere que a proteína HIF1, ou Fator Induzido por Hipóxia 1, pode estar relacionada ao sangramento excessivo. A proteína aciona mais de 60 genes que ajudam na regeneração de tecidos que mostram queda de nível de oxigenação – também conhecido como hipóxia. Essa função é especialmente importante nos tecidos do sistema digestivo. A hipóxia também acontece no útero durante a menstruação.

A pesquisa incluiu oito mulheres, sendo que quatro sofrem com sangramento intenso. Os cientistas colheram amostras do útero dessas voluntárias, e descobriram que o HIF1 aumenta durante a menstruação, mas que as mulheres com muito sangramento têm níveis mais baixos dessa proteína. A análise também aconteceu com ratas divididas em dois grupos: um normal e um modificado geneticamente para não ser capaz de produzir o HIF1. Esses animais receberam hormônio para experimentarem ciclos menstruais semelhantes ao do ser humano.

Eles perceberam que 16 horas depois do fim do sangramento, o útero das ratas normais já mostraram sinais de regeneração, mas que as ratas sem a proteína não mostraram a mesma melhora. A pesquisa foi apresentada na conferência da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia que acontece em Helsinki, na Finlândia. O trabalho, porém, ainda não foi criticado pela comunidade científica, e é possível que mudanças sejam necessárias. Os estudos também precisam ser refeitos em grupos maiores de mulheres.

[ Science Alert via HypeScience ] [ Fotos: Reprodução / ScienceAlert / Flickr ]