Acredita-se que um quarto da população mundial tenha algum tipo de verme.

 

Parasitas, como a lombriga, a solitária e a Ancylostoma duodenale, podem estar dentro de mais de 1,5 bilhão de pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Há anos, especialistas recomendam o tratamento de grandes grupos de populações em risco de infecção. Porém, tal abordagem vem sendo contestada.

 
Alguns estudos apontam evidências dos benefícios de projetos de desparasitação em grande escala, mas o debate nunca esteve tão “incendiado”, sendo conhecido até como “guerra sem fim”. Geralmente, as pessoas são infectadas por alimentos contaminados, mas as larvas de Ancylostoma também podem penetrar nos pés, entrar em vasos sanguíneos e chegar ao coração e aos pulmões.

 

De lá, eles podem subir para o esôfago e ser engolidos, terminando no intestino, onde finalmente crescem. Os vermes não costumam ser fatais, mas em casos graves podem causar dor abdominal, diarreia, perda de apetite, perda de peso, fadiga e anemia. Em crianças, pode causar desnutrição e atrofia.

 

Como o tratamento é extremamente barato, a ideia de que em áreas onde os vermes parasitas são comuns as crianças devem ser tratadas em massa, independentemente de estarem ou não com os sintomas, é apoiada pela OMS. “É barato, é eficaz“, diz Justin Sandefur, pesquisador do Center for Global Development. “Vermes são comuns em muitos países pobres, por isso vejo apenas vantagens e nenhuma desvantagem“. O tratamento pode melhorar a saúde das crianças, ajudar em seu crescimento e até mesmo aprimorar seu desempenho na escola, de acordo com Justin.

 

Porém, as evidências dos benefícios desses projetos de desparasitação em massa receberam duras críticas na semana passada, quando afirmou-se que na década de 1990 ela tinha sido “desmascarada“. Os autores do antigo estudo foram os economistas Michael Kremer, da Universidade de Harvard, e Edward Miguel, da Universidade da Califórnia, ambas nos EUA. Eles separaram os alunos de escolas em dois grupos.

 

No primeiro, eles foram tratados contra os vermes, no segundo grupo não receberam nenhuma medicação. Os resultados mostraram que, nas escolas que recebem tratamento, as crianças faltaram menos e que as tratadas tinham menor probabilidade de infectar outras pessoas.

 

Porém, em junho de 2015, epidemiologistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra, publicaram um estudo de replicação dos dados originais recolhidos no Quênia. Eles endossaram muitas conclusões, mas também encontraram alguns problemas.

 

Faltavam muitos dados neste estudo“, disse o professor Richard Hayes, autor sênior da equipe. A equipe do professor Hayes notou que houve mais visitas de coleta de dados a escolas que receberam tratamento e tiveram frequência escolar alta e menos visitas a escolas sem tratamento. Eles notaram que ocorreu um viés de interesse que minou as conclusões apresentadas no artigo original.

 

Outro relatório, que analisou um grande número de ensaios, foi publicado e também questiona os projetos de desparasitação em massa. Um dos autores, David Taylor-Robinson, analisou 45 dados mundiais desde o fim dos anos 1970. Ele endossa o tratamento aos indivíduos com vermes, mas não encontrou nenhuma evidência de resultados de tratamento em massa com impacto no peso, altura, hemoglobina, desempenho na escola ou mortalidade. “A evidência de frequência escolar não é inconsistente. Mas não dá para saber”, disse.

Foto: Reprodução / BBC

Taylor-Robinson e seus colegas argumentam na BBC que podem haver outros fatores que influenciam a saúde das crianças que vivem em áreas pobres, e como muitos lugares melhoraram sua qualidade de vida, a prevalência de vermes e o número de infecções graves está diminuindo. Apesar das alegações, parece haver um consenso de que a comunidade científica precisa compartilhar dados, replicar estudos e discutir críticas, pois a exceção de divergências nesse caso parece não levar a uma conclusão plausível.

 

Mais informações sobre os vermes

Vermes parasitas são comumente encontrados em países com falta de saneamento e clima quente e úmido. Suas larvas são encontradas em solo contaminado com fezes humanas, e as pessoas podem ser infectadas em contato com a terra.

 

Comer vegetais não lavados que tiverem entrado em contato com larvas e beber água contaminada também podem levar à infecção. As larvas se movem através da corrente sanguínea para o intestino delgado, onde se desenvolvem.