Foi após ter uma experiência ruim durante o funeral de um ente querido que Rachel Carline, da Inglaterra, percebeu que queria cuidar de falecidos.

A experiência traumática com a forma com que seu parente foi tratado e cuidado, a deixou perplexa e ela contou seu relato no jornal britânico Metro, em primeira pessoa.

“Eu queria ter certeza de que outras pessoas seriam tratadas de forma melhor e não teriam que passar pela experiência que eu e minha família passamos”, disse.

Aos 20 anos, ela entrou para a Co-op, uma empresa de funeral que trabalha organizando os funerais de forma completa, desde a cerimônia em si, até o tratamento que o cadáver precisa receber para estar em situações apresentáveis.

Foto: Joel Goodman / Metro.co.uk

“Eu queria preservar e restaurar entes queridos. Quando os familiares o vissem pela última vez, era para sentirem-se confortados e tranquilizados; sentir que seu parente amado parecia descansar em paz. Eu treinei muito para me tornar uma embalsamadora”, comentou.

Sua formação inicial envolveu 5 provas teóricas e 2 práticas sobre embalsamamento. Após os cursos, tornou-se se membro do Instituto Britânico de Embalsamadores.

O ato de embalsamar, ao contrário do que muitos pensam, trata-se não somente de preservar o corpo evitando que exalem cheio ruim, retardando os processos naturais de decomposição, mas também dando uma aparência natural, para que os parentes tenham a melhor imagem possível na despedida.

Foto: Joel Goodman / Metro.co.uk

Como ocorre o processo?

Embalsamar envolve diversos fatores, pois cada caso é tratado de forma individual, dependendo muito de que forma a pessoa veio a falecer. Mas, alguns fatores principais que influenciam qual técnica será usada são: se o cadáver passou ou não por exame post mortem, em que circunstâncias ocorreu a morte e se passou muito tempo morto antes de ser recolhido.

O processo em si é feito inserindo uma solução especial (geralmente contendo formol) em uma artéria para remover os fluidos corporais. Este processo possui três objetivos: apresentação, preservação e saneamento.

Quando chega aos meus cuidados, a pessoa falecida descansará em um ambiente limpo e adequado. Seu corpo será lavado, preservado e, em seguida, apresentado de acordo com seus próprios desejos ou o desejo da família”, comentou.

 

Foto: Joel Goodman / Metro.co.uk

As famílias, muitas vezes, fornecem fotos para que o embalsamador possa se inspirar para estilizar o cabelo, pintar as unhas, passar maquiagem, para ficarem o mais parecido possível de quando eram vivos.

Depois de vestidos e colocados adequadamente dentro do caixão, os familiares já podem visitá-lo. “É meu papel continuar a verificar se eles continuam com a melhor aparência”.

“As pessoas geralmente pensam que ser um embalsamador é penas preservar um falecido – e não é. Meu papel é cuidar da pessoa desde o momento que ela entra na funerária até o dia em que embarca para sua jornada final”.

Sobre a dor da perda, ela dá seu relato: “É realmente difícil e perturbador para aqueles que ficam para trás. É extremamente angustiante para os pais perderem um filho ou um bebê. Você sente a tristeza de sua perda e não consegue imaginar o que eles estão passando e como devem estar se sentindo”.

Embalsamar um conhecido ou parente, pode?

Em 2015 ela perdeu seu avô para um câncer agressivo. Durante sua doença, Rachel passou muito tempo ao seu lado. Ela estava ao seu lado quando ele faleceu.

“Como eu havia feito este trabalho de muitas famílias antes, queria cuidar da minha própria família em nosso luto. Arrumei o funeral dele e me assegurei de que todas as legalidades estivessem concluídas”.

Embora ela já tivesse embalsamado pessoas conhecidas como amigos, esta foi a primeira vez que ela cuidou de um parente. “Por mais que eu queria ser a pessoa que cuidaria dele, me senti um pouco apreensiva. No entanto, sentir-me à vontade para iniciar o procedimento. Eu estava simplesmente fazendo exatamente o que eu fiz para centenas de famílias”.

Foto: Joel Goodman / Metro.co.uk

Como é, de fato, trabalhar com um cadáver?

Rachel comenta que uma das coisas que as pessoas mais perguntam, quando sabem sobre seu trabalho, é: “Como é ver um cadáver?”.

“Eu sempre soube que queria trabalhar em funerárias, então, sabia que era algo com o qual eu me sentiria confortável. Mas, não é algo para todos, mas acredito que só experimentando a sensação para saber e ter certeza absoluta se consegue”, disse.

A primeira vez que atendeu uma pessoa morta, tratava-se de um homem que havia sido atendido pelos serviços sociais e era considerado um “indigente”, por não ter nenhum parente rastreável.

Ele havia falecido há alguns meses e havia passado por exame post mortem para determinar a causa da morte. “Quando o vi pela primeira vez, pensei comigo mesma: ‘não é assim que mostra na TV’, devido a maneira como o corpo deteriora”.

Sobre seu primeiro atendimento, ela salientou que não importava ele não ter nenhum parente. Ele foi cuidado, vestido adequadamente e tratado como qualquer outra pessoa falecida: “Com respeito”.