Um caso intrigou cientistas durante esta semana, quando uma mulher foi presa, supostamente por dirigir completamente bêbada. 

Seu caso raríssimo então, veio à tona: ela possui a chamada Síndrome da Autocervejaria, ou seja, um processo onde o próprio sistema digestivo produz naturalmente álcool, funcionando como uma “pequena fábrica”.

A mulher, que não quis se identificar, ficou tranquila após a prisão, porque bastava apresentar todos os dados médicos provando a existência de seu problema – que muitos encaram com ironia ou gargalhadas por não saberem da existência.

Seu advogado conseguiu todos os laudos com o médico que cuida de sua saúde.

Esta síndrome extremamente desconhecida do grande público produz substâncias alcoólicas, como o etanol, dentro do intestino quando começa o processo de digestão alimentar ao comer qualquer tipo de carboidrato – o que gera um nível considerado de álcool na corrente sanguínea.

Evidentemente, explicar isso para a polícia não foi nada fácil e talvez até tenhamos que dar um “desconto” para as autoridades, por ser algo incomum que não se lê em qualquer local, tampouco divulgado pela mídia.

Os pacientes acometidos apresentam todos os sinais clássicos de alguém muito bêbado, como fala arrastada, confusão, além de exalar álcool em sua respiração e transpiração. 

A notícia, divulgada no portal norte-americano ABC News, relatou ainda uma entrevista com o Dr. Richard Peek, que é professor de medicina e biologia do câncer da Universidade de Vanderbilt Medical Center. Ele ressaltou que os sintomas e causas não são bem conhecidas, mas existem “prováveis” culpados para o problema.

“Leveduras estão normalmente no trato intestinal de todas as pessoas que relatam o problema. Eles ainda têm um número importante de cândida. Quando a pessoa ingere refeições que possuam carboidratos, as leveduras metabolizam e o transformam em etanol”, comentou Peek à ABC News.

Esse acontecimento mostra o tamanho da importância que é a existência de uma microbiota saudável em nosso intestino. A microbiologia envolvida dentro de cada um de nós é bastante complexa e sua real influência em nossa vida não é totalmente esclarecida pela ciência.

Há estudos, inclusive, que apontam que determinadas interações bacterianas podem ser um dos fatores que levam à obesidade.

O cientista ainda salientou que mais estudos são necessários para compreender todos os mecanismos e encontrar a cura para os portadores da síndrome.

É possível tratar os pacientes com antifúngicos para reduzir a existência de cândida (um tipo de fungo muito encontrado na região vaginal) no intestino, mas geralmente isso é usado como tentativa de controle, não sendo verdadeiramente eficaz. 

Peek ainda comenta a importância de uma microbiota saudável, e que várias alterações podem ocorrer com os microrganismos que vivem em nosso intestino, através de doenças, antibióticos e diversas outras condições clínicas.

Uma boa dieta, com acompanhando, exercícios e o uso específico de probióticos podem ajudar você a atingir um microbioma intestinal saudável.

Via: ABC News Imagem: Reprodução / Asia Town