Muitos podem pensar que isso se trata de timidez ou modéstia, mas a Ciência vai além, e sugere que esses sejam os sintomas da chamada Síndrome do Impostor.

 

Vejamos a atriz Emma Watson, por exemplo. A moça reconhecida mundialmente por ter interpretado durante anos a inteligente Hermione da saga Harry Potter, tem talento, beleza, e a oportunidade de atuar nos papeis principais do cinema. Entretanto, apesar do grande sucesso, a atriz admitiu se sentir como uma fraude.

 

Em uma entrevista à revista Rookie, Emma disse: “É como se o melhor de mim fosse uma farsa, e assim o sentimento de inadequação aumenta ainda mais. Sinto que a qualquer momento alguém vai descobrir que sou uma fraude total e que na verdade eu não merecia nada do que eu consegui”. 

 

Este é um exemplo de um fenômeno interessante chamado Síndrome do Impostor. Basicamente, as pessoas são vistas externamente como bem-sucedidas, mas internamente elas se sentem como se não fossem dignas desse sucesso, e que estão correndo o perigo de serem expostas.

 

Foto: Reprodução / DanBlack
Foto: Reprodução / DanBlack

Este sentimento deturpado de si mesmo ocorre de tempos em tempos com a maioria das pessoas. Um artigo publicado em 1985 sugere que até 70% das pessoas terão a Síndrome do Impostor em algum momento de suas vidas. Isso é mais comum do que se imagina, e geralmente essa sensação tende a passar.

 

Quando isso deixa de ser um sentimento passageiro, e torna-se uma ideia fixa, a pessoa realmente acredita que ela é um impostor, e passa a desenvolver comportamentos e padrões de pensamento com base nessa crença.

 

Pauline Clance e Suzanne Imes, pesquisadoras da Georgia State University, em 1978 descreveram pela primeira vez a síndrome baseando-se em uma pesquisa feita com um grupo de mulheres bem-sucedidas.

 

Grande parte do estudo inicial sugeria que a síndrome estava mais propensa a acometer as mulheres, no entanto, existem outros estudos que mostram que os homens também são afetados.

 

Em uma outra pesquisa, por exemplo, mostrou que as mulheres que trabalhavam, viviam uma espécie de competição entre elas para provar seu potencial, quando a ansiedade estava em seu ápice. Já com os homens, a tendência era que eles evitassem situações nos quais seus pontos fracos pudessem ser expostos.

 

A Síndrome do Impostor é mais evidente em situações nas quais as pessoas são medidas ou avaliadas de alguma forma, como por exemplo, na escola, onde os alunos são regularmente testados e classificados.

 

É comum também no esporte competitivo, ou quando alguém precisa se levantar para fazer uma apresentação. É nesse momento de exposição de si mesmo que as pessoas passam a se preocupar com o que vão dizer a seu respeito ou descobrir o seu segredo.

 

Característica da síndrome

Uma das características da Síndrome do Impostor é que se você realmente a tiver, você jamais irá admitir isso publicamente. Imagine a seguinte situação: em seu trabalho você simplesmente se levanta e fala para todos os seus colegas:

 

Eu sou uma farsa, me sinto uma fraude”, então pode ser que alguém concorde com você e diga: “Estávamos justamente conversando sobre isso. Você não merece estar aqui, devia ir embora”. O medo de ter essa crítica interna sendo externalizada e exposta a todos faz com que a pessoa não diga nada, e sofra calado com suas dúvidas.

 

A segunda característica, igualmente importante, é que a síndrome é impermeável à prova. O que isso significa? Por mais que esteja evidente que a pessoa tenha talento e por isso mesmo seja merecedora de tudo o que conquistou, tendo passado com êxito em exames, conseguido certificados, metas de vendas ou fez uma boa apresentação aplaudida com entusiasmo e elogios, apesar de todas essas evidências, a pessoa ainda se sente uma fraude. A mente dela ignora todas as provas que dizem o contrário, e a pessoa se desvaloriza pensando que teve apenas um pouco de sorte, que foi fácil ou que teve ajuda.

 

Para certas pessoas, quanto mais bem-sucedidas elas forem, pior é o grau da síndrome, até porque existe muito mais que poderá ser exposto.

 

O que pode ser feito para ao menos minimizar o problema?

Uma das grandes contribuições da Psicologia é ajudar as pessoas a perceberem que o que elas sentem, essa impressão ruim, não é de fato real. Você pode até se sentir como um impostor, mas deve entender que não é um.

 

Algumas perguntas para si mesmo podem ser feitas, como por exemplo: Você quis dizer mentiras na entrevista pela qual foi aprovado? Foi apenas sorte ou você realmente trabalhou e se esforçou muito para preparar o relatório, o discurso ou apresentação? Você teve ou tem a intenção de enganar todo mundo?

 

Não existe, na verdade, uma resposta simples ou uma solução para tratar a síndrome, mas o autoconhecimento é importante para aprender a não temer o sucesso e saber apreciar as conquistas. É preciso encontrar um meio para canalizar a pressão, e cada pessoa tem um jeito próprio para fazê-lo. Essas dicas talvez não ajude a pessoa a se livrar totalmente da síndrome, mas com certeza vai ajudá-la a gerenciar esse medo.