Durante décadas, milhões de crianças nos países desenvolvidos do mundo passaram por cirurgias para remover suas amígdalas e adenoides.

Essas estruturas teciduais linfáticas, servem para desencadear uma resposta imune de primeira linha a patógenos que entram no trato respiratório, e freqüentemente se tornam cronicamente inflamadas nos primeiros anos de vida.

Uma vez que a comunidade médica há muito acredita que sua ausência não afeta significativamente a saúde do adulto, muitos médicos optam por aliviar as crianças da persistente dor de garganta e das infecções de ouvido que acompanham essa inflamação cortando a fonte.   

Amígdalas altamente inflamadas (esquerda) e vários dias após cirurgia de amigdalectomia (direita).

Mas um estudo pioneiro publicado na Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da famosa revista científica médica JAMA, sugere que essa prática difundida poderia estar colocando as crianças mais propensas a doenças no futuro.

A equipe de pesquisa, liderada pelo Dr. Sean Byars na Universidade de Melbourne, examinou registros médicos de um conjunto de dados maciço de aproximadamente 1,2 milhão de indivíduos dinamarqueses cuja saúde foi seguida desde o nascimento até os 10 anos e, em alguns casos, até os 30 anos.

Depois de comparar indivíduos que tiveram suas amígdalas ou adenóides removidas antes dos 9 anos de idade para controles, Byers e seus colegas descobriram que aqueles submetidos à amigdalectomia tinham três vezes mais chances de sofrer de doenças alérgicas ou infecciosas do trato respiratório superior – incluindo asma, gripe e pneumonia, entre outros – nos anos seguintes.

A realização de uma adenoidectomia foi associada a uma taxa duas vezes maior dessas doenças, bem como à doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e à conjuntivite. 

Esta foi a primeira investigação a avaliar o impacto de longo prazo da amigdalectomia e da adenoidectomia em diversas doenças, e os autores observam que o grande número de pacientes usados ​​na análise confere um peso significativo aos resultados.

À luz dos riscos revelados aqui, o Dr. Byars e sua equipe propõem que esses procedimentos devem ser evitados enquanto tratamentos alternativos estiverem disponíveis.

Se outras opções se esgotarem, os médicos devem tentar adiar a cirurgia pelo maior tempo possível, de modo a permitir que o sistema imunológico da criança se desenvolva mais.

Dado que as amígdalas e adenóides fazem parte do sistema linfático e desempenham um papel fundamental tanto no desenvolvimento normal do sistema imunológico quanto na triagem de patógenos durante a infância e o início da vida, não é surpreendente que sua remoção possa prejudicar a detecção de patógenos”, concluem.

Via: JAMA / The University of Melbourne / Fique Sabendo Imagens: Reprodução / JAMA